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FEVEREIRO
2012

Borracha na neve

Postado em 28 de Janeiro de 2008

Sábado, 26 de janeiro, 6h23 - Os Coxas se livram da noite mais fria da viagem. Dos beliches militares é possível ver os flamingos saltitando nas águas da Laguna Blanca. Estamos a 10 quilômetros da fronteira e temos que aproveitar o tempo bom para cruzá-la e chegar a San Pedro de Atacama. Preparamos a tralha e partimos em direção a saída do parque nacional que abriga as lagunas coloridas. Os funcionários do parque ficam surpresos ao saber de nossa intenção de pedalar tão cedo até a fronteira, aos pés do vulcão Licancabur (5.916 metros de altitude).

desertoneve.jpg

Os maiores obstáculos não seriam a distância, vento ou frio. O que tornava o pedal ainda mais desafiador nesse lugar é o ar rarefeito somado ao fato de serem praticamente 10 quilômetros de pura subida. Depois de lubrificar as bices com azeite presenteado pela equipe do parque, lá foram os Coxas rumo ao Chile. Para cada trecho de subida, uma parada no final para fotos e recuperação da respiração, até chegarmos ao posto de fronteira. A despedida da Bolívia é marcante. Deixamos para trás lugares inigualáveis e ficamos com as boas recordações do país mais barato e um dos mais belos da América do Sul.

Já no lado chileno, nos deparamos com uma cena singular: a recompensa por termos acordado cedo foi o privilégio de pedalar sobre a neve no caminho que corta os três picos nevados que nos recepcionaram no Chile. Pela primeira vez nós e as bices sentiram a sensação de espremer gelo no chão. Por um momento, esquecemos do ar rarefeito, das incontáveis subidas e da altitude (chegamos a pedalar a 4.622 metros acima do nível do mar) para nos dedicarmos ao prazer de ver a borracha marcar a camada branca que tomava conta das laterais da estrada de terra que nos levaria á rodovia que liga a Argentina ao Chile.

coxasnaneve.jpg

Bastou ganharmos o asfalto para começar a descida de 40 quilômetros até San Pedro, com cerca de 2.200 metros de diferença de altitude, desta vez, a favor dos Coxas. Haja freio. Neste ponto, registramos o primeiro problema nas bicicletas, verdadeiros blindados até então. Após pedalarmos nas estradas mais intransitáveis da Bolívia, tivemos um pneu furado justamente no asfalto muito bem cuidado do lado chileno, o que nos permitiu admirar, lá do alto, a imensidão do Atacama, deserto mais seco do mundo. Assim chegamos a San Pedro, deixando pra trás uma madrugada de quatro graus negativos para almoçarmos sob o calor de quase 40 graus da capital do deserto. Da neve ao calor intenso em poucas horas, eis que chegamos a mais um superlativo.

pedalsolitario.jpg

12 respostas para “Borracha na neve”

  1. Acaí café disse:

    É isso daí Léo, estamos aqui torcendo por vcs do lado daí e estou acompanhando a trajetória de vcs o tempo todo, e como disse um alí para trás, realmente inveja nao mata! Se cuidem e vao com Deus.

  2. Marcia disse:

    Afff, mas que cansera so de pensar…ta certo que nosso retorno, ainda nao completado nao esta sendo muito melhor, fomos parar em buenos aires, tivemos que dormir por la, ir no dia seguinte ate o rio de janeiro para entao chegarmos em sampa…hj eh que vamos p curitiba…

    sucesso p vcs!!

    beijos

  3. Dudu moya disse:

    Leo que linda as fotos,estou orgulhoso de voces meus amiguinhos.PARABENS!!!!!!!!!!!!

  4. isabel disse:

    E o ano que vem, pra que lado vocês vão? Imagino que depois dessa ninguém segura! beijo e até a volta

  5. Eurrênio disse:

    Hombres,
    este trayecto yo hijo muchas veces. Tengo experiencia en Sudamérica.
    Y los digo, Atacama és increíble.
    Y atención, tengo hermanos en Atacama!
    Se pasá alguna cosa, és solo decir: “POOOOOOOOOINTCHO” para algun personaje que vive en Machuca que ellos sacan las ropas de humanos y se presentam como ETs.
    Si estuviren con uno de ellos, por favor, diga a el que necessito volver a Marte.
    Por favor. Ah, y tambien tengo que llevar el nuevo CD de Manu Chao para mi madre que no me ve hace 356 años. Mi madre es loca por Manu!

  6. O Maia disse:

    Caro inimigo Cabral!Vou em missão de paz ver as fotos dessa epopéia eqüestre pelos superlativos da América,quando elas estiverem em seu reduto(me refiro a sua cidade).Vou levar minha senhora,nada de batalhas, teremos um trégua.Amplexos.

  7. Adriana disse:

    Uau!!!! conheci o blog através de uma amiga de vcs. Esta viagem é simplesmente INCRÌVEL!!! Fiz esse roteiro em 2006, claro que não de bike (kakaka), e estou curtindo muito o diário, pois as fotos e os comentários, me fazem lembrar cada trecho que visitei.
    Bom resto de aventura pra todos!!

  8. JB disse:

    COMO DIZ O PIPOCA: NUSSSGATI! CADA FOTO MAIS DOIDA QUE A OUTRA. ÔH INVEJA!

  9. Denilson Félix disse:

    Maravilha!! Faz alguns dias que não entro no site, hj entrei e tirei o atraso, só posso dizer isso: MARAVILHA essa viagem de vcs e principalmente em bikes!! Ai adriano, comprou a câmera de video, tá fazendo o registro para uma futura produção audiovisual da viagem?? Merece!! Inté.

  10. Marcelo He-Man disse:

    Caras que show!!! essas fotos ficarão para a posteridade, o fotografo é o cara!!!

  11. Rosângela Souza e Silva disse:

    Parabéns pela coragem de todos.
    Não é pra qquer um pedalar em meio a tantas adversidades.

    Força!!!

  12. Wanderson disse:

    Parabéns pelo passeio e coragem! Sucesso na pedalada.”Pedala Léo”!

    Wanderson.

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