Torneira vermelha
Postado em 25 de Janeiro de 2008
23 de janeiro, 7h12 - Os Coxas acordam no hotel de sal Playa Blanca, no vilarejo de Colchani, depois de uma noite difícil em meio ao frio, chuva e buracos assustadores nas paredes, teto e piso da precária hospedaria. Após sermos informados de que não havia café da manhã (nem se pagássemos a mais), nos restou sumir dalí o mais rápido em direção a Uyuni, em busca de banho, comida e cama. Pedalamos mais 24 quilômetros alternando trechos de estrada de terra (padrão boliviano) e de via férrea. Lá se foram mais costelas de vaca, areal, lama propriamente dita e enxurradas. Na chegada a Uyuni, decidimos que o primeiro e único critério para a escolha do hotel seria um bom chuveiro quente. Nessas alturas, acumulávamos o cansaço de 27 horas de viagem de ônibus, seis de bicicleta e uma noite no sal. Para nossa surpresa, foi fácil encontrar um bom hotel, um excelente café da manhã, ducha quente e cama.
Aos poucos, bem devagar, os Coxas começaram a se despertar, já no fim da tarde. Refeitos do esforço, partimos para explorar a cidade de ruas alagadas e sujas onde resta uma pequena parte urbanizada nos arredores da avenida Potosi, que concentra o comércio e serviços voltados para turistas. Após lavarmos a roupa suja, comemos algumas bobagens e cama. Dormimos torcendo para fazer tempo bom no dia seguinte, garantia de boas fotos no maior salar do mundo.
Tempestade no sal
24 de janeiro, 7h49 - O dia amanhece nublado, mas sem chuva. Menos mal. Desde que saímos de La Paz a água não parou de cair. O café da manha reforçado foi o ingrediente que faltava para partimos em direção ao salar. O passeio é oferecido por diversas agências e é feito somente em veículos 4×4. Fomos os únicos a realizá-lo de bicicleta. Para nossa surpresa, o melhor caminho seria passar novamente em Colchani, que abriga o fatídico Playa Blanca. Tudo de novo: costelas de vaca, areal, lama propriamente dita e enxurradas. Ao chegarmos ao vilarejo, passamos em frente ao hotel que mantinha sua imponente aparência de abandonado. Aceleramos e, logo adiante, bastou virarmos à esquerda para ganharmos a estrada que leva ao salar. Não vamos aqui tentar descrever o que é pedalar na maior planície de sal do mundo. As fotos se encarregarão disso.
Mas cabe relatar, ó irmãos, o sufoco que passamos na volta do salar. No céu, duas formações nebulosas se encontram no momento em que saímos do terreno salgado. Nos vimos em meio a uma tempestade de vento, chuva forte e queda abrupta de temperatura. A única saída foi buscar abrigo em um hotel de sal em construção, próximo a entrada do salar. O caminho até lá foi penoso pois, com exceção do Coxa Leo, que seguiu pela estrada principal, os outros dois buscaram um atalho na diagonal fora da estrada, o que em qualquer outra situação seria mais rápido. Desastroso. As bicicletas afundaram na lama e foi necessário um esforço muito maior para alcançar o abrigo.
E, de novo, lá estavam os Coxas num hotel de sal. Roupas molhadas, bicicletas enlameadas e frio, muito frio. Sorte que por aqui o tempo muda o tempo todo. A chuva parou, o sol até deu as caras e os Coxas voltaram para a estrada em direção a Uyuni. No total, foram 64 quilômetros de lama, enxurrada, areal… Já na cidade, seis sanduíches na barraquinha da praça, antes mesmo de ir para o hotel. Dedicamos algumas horas para lavar bicicletas e roupas, banho e jantar. Hoje, pelo segundo dia consecutivo, dormiremos em nosso doce hotel de torneira vermelha.













Janeiro 25th, 2008 at 6:12 pm
fantástica esta viagem de vocês !!!! O COXA Léo, como IRMÃO de um ORIENTADOR, sabe quem nem sempre o menor caminho é o mais RÁPIDO. Parabens a ele pela escolha, hehehe, e aos outros dois pelo Arrojo.
Abraços
Janeiro 25th, 2008 at 6:49 pm
ahahahahahahahahahahahahh
Após ler esta descrição finalmente descobri porque àààs vezes perco para o Léo na Sinuca:
o homii é pura PREVIDÊNCIA divina!!!
No mais, Muita Saúde e Diversão para vocês todos!
Grande abraço,
Juá
PS aqui vai uma breve dica do que os aguarda no Retorno:
http://www.youtube.com/watch?v=v58rkTJiY8c&feature=PlayList&p=6EA3BF5ABAF089C2&index=107
Janeiro 25th, 2008 at 11:23 pm
Cada dia o roteiro fica melhor.
Boa viagem a todos e muita diversão.
Janeiro 25th, 2008 at 11:33 pm
Putz, a cada depoiemento, a cada foto postada fico com mais senssação de tristeza por não estar junto com vocês. Como excelente mountain biker que sou não acredito que fiquei fora dessa parada! hehehe
Mas… alguém tem que ficar aqui e fazer o trabalho sujo.
To pensando é quantas idas na Tropeiro vamos ter que fazer para poder ouvir todas as histórias!
Abraços
Janeiro 26th, 2008 at 1:09 am
Adriano, meu filho, que maravilha esse site!! Estamos com saudades, aproveita por nós……
abs
Janeiro 26th, 2008 at 5:16 am
Estamos acompanhando a viegam de vocês. Bo sorte no restante do caminho… beijos…da mamãe, Marlene…
Janeiro 26th, 2008 at 6:15 am
Caralho, vcs estão de parabéns por tudo, fotos, roteiro, arrojo e muita bagagem de mundo….
Parabéns, aproveitem e vou torcer para que na próxima eu esteja junto…. Pode contar… Cabritim manda brasa, e carregue as baterias…para detonar em 2008. Abçs
Janeiro 29th, 2008 at 6:09 pm
Hotel de sal?
Siiii!
Tienes que volver en este hotel!
En el ultimo contacto que hijo con los ETs en Atacama ellos dicieran que irian hacer un Hotel de Sal.
Probablemente ellos estan vestidos como humanos, pero es solo decir-les la palavra “POOOOOOINTCHO” que ellos vuelvem locos!
Hombres, tienem que decir-les que estoy enfermo y necessito volver a Marte.
Por favor!
Março 31st, 2009 at 3:56 am
NOSSA QUE FOTOS MAIS LEGAIS, AI QUE INVEJA (BRANCA, NÉ?). AMO VOCÊS!