----------- -----------

Plantão - Twitter

    Carregando...
-----------
Por onde vamos
-----------
Janeiro 2008
S T Q Q S S D
    Fev »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

9

FEVEREIRO
2012

Buracos Salgados

Postado em 24 de Janeiro de 2008

 

Segunda-feira, 21 de janeiro. O dia começa em Copacabana (Bolívia) com a despedida da família de brasileiros de Curitiba que acompanhou os Coxas na viagem pelo Peru. O trio parte para a Isla del Sol, enquanto os Coxas se preparam para a viagem a La Paz. Antes do embarque, almoçamos no Portal del Sol, restaurante gerenciado por Cacho, 57, boliviano de La Paz que viveu por quase dois anos em uma tribo na Chapada dos Guimarães (MT). “Lá aprendi com pajés como cuidar de plantas e a ter qualidade de vida”, conta.

Cacho

Cacho deixou o Brasil depois de ouvir de um pajé que teria que voltar à Bolívia. No máximo em três dias, numa espécie de missão espiritual. Sem dinheiro, o boliviano disse que não seria possível retornar em tão pouco tempo à terra natal. No mesmo dia veio a surpresa: um francês o convida para ser seu guia na Bolívia e, desde então, Cacho vive em Copacabana onde também aplica sessões de auto-hemoterapia.

Após comermos sopa de quinua real (mais um superlativo do altiplano, considerado o cereal mais nutritivo do mundo), arroz, salada e bife (conselho do Guilherme: comam proteína animal), nos despedimos com um “hasta luego” e ouvimos um lembrete de Cacho, todo orgulhoso: “Não se esqueçam de que a Copacabana de vocês, no Rio de Janeiro, tem esse nome graças à nossa Virgem de Copacabana”.

Olhamos no relógio: 13h32. Saímos da princesinha do Titicaca em um ônibus lotado de estrangeiros. Entre eles, Michilo e Pablo, argentinos de Salta, que viajaram na última fila com os Coxas. Aos poucos a dupla se solta e começa a narrar as peripécias em território peruano. Segundo eles, por uma questão ideológica, preferiram conhecer Machu Picchu por meio de uma rota, digamos, alternativa. Uma forma de protestar contra as altas taxas cobradas pela empresa que explora um dos maiores atrativos das Américas. Pablo, o mais falante, diz que apesar das três horas de subida no meio do mato, com mochilas pesadas e vegetação fechada, valeu a pena chegar à cidade sagrada. “Nos sentimos os descobridores de Machu Picchu”. A dupla passou a noite entre as ruínas. No dia seguinte, foram descobertos pelos seguranças e convidados a sair.

Nosso papo é interrompido pela funcionária do ônibus, que informa que todos deverão sair do veículo para atravessar de lancha o canal que separa as cidades de San Pedro e San Pablo, em mais um contato com o imenso Titicaca, que no ponto mais profundo atinge 249 metros. De volta ao ônibus, seguimos com o papo na última fila. Depois de falarmos de futebol (tema inevitável), a dupla revela sua grande paixão, o rugby. Na despedida na rodoviária de La Paz, os Coxas recebem uma camisa do time do Jockey Club de Salta.

Nossa permanência no terminal é curta, mas há tempo para comermos pães frios antes de iniciar, às 19h, a viagem até Uyuni, cidade-base para quem quer explorar o maior salar do mundo. A previsão é de 12 horas de estrada. Fora a tripulação, apenas outros dois bolivianos no ônibus, um policial militar e um caminhoneiro, que se transformaria em guia (é incrível, mas o motorista não conhecia o caminho). Entre os passageiros, espanhóis, norte-americanos, ingleses, islandeses e, é claro, brasileiros e argentinos.

Aula de Física 

Depois de parada técnica de duas horas durante a madrugada, por conta de informações desencontradas sobre as condições da estrada entre Oruro e Uyuni (304 quilômetros), seguimos em direção ao salar. No caminho, ajudamos a desatolar outro ônibus que ia na mesma direção, lotado de coreanos. Poucos metros depois, é a vez do nosso atolar. Foi aí que o desprendimento dos brasileiros e argentinos se mostrou eficiente. Liderados pelo Coxa Cabral (que já havia coordenado a exitosa operação anterior, com técnicas extraídas do livro de Física do segundo grau), Brasil e Argentina demoraram uma hora e meia para desatolar o veículo, sob os olhares atentos dos demais países. Na verdade, o ônibus não atolou. Uma roda travada é o que o impedia de seguir pela péssima estrada até o salar, problema detectado horas depois pelo motorista. Já passava das 10 horas e ainda estávamos a quatro de Uyuni, pra onde partimos sem freio traseiro.

Na altura do rio Mulato, mais uma parada (para o desespero de todos passageiros) por conta da enxurrada formada pelas águas da chuva e do degelo. Já havíamos passado por várias, mas desta vez a força das águas assustou o motorista que resolveu aguardar (deu até uma cochilada no barranco). Após esperarmos mais de uma hora (e nada das águas baixarem), os Coxas decidiram fazer a travessia com as mochilas e bicicletas nas costas, sob o olhar de espanto do resto do mundo. Preparamos as bices e, pela primeira vez, encaramos o pedal levando toda nossa tralha, cerca de 20 quilos de carga por bicicleta.

Bicicleta com tralhas

Foram 42 quilômetros de lama, costela de vaca (ondulações na pista), vento contra, dois cerros, mais enxurradas (imaginem a temperatura da água) e, é claro, de paisagens alucinantes a 3.400 de altitude, até chegarmos ao povoado de Colchane, a 26 quilômetros de Uyuni. Ali registramos o mais belo pôr-do-sol.

Pôr-do-sol em Colchane

A noite chegou e com ela o frio mais intenso e chuva. Não tinha jeito: teríamos que dormir no único lugar disponível, o hotel de sal Playa Blanca que, apesar da estrutura inusual, ficou marcado como a pior hospedagem até agora. Foi difícil convencer a funcionária a preparar uma sopa para os Coxas, que estavam sem dormir a mais de um dia, com muita fome e cansados do pedal de última hora. Insistimos e conseguimos comer parte da sopa servida para o grupo de cerca de 20 coreanos que tomou conta do hotel. Deles recebemos aplausos, após sermos reconhecidos como os brasileiros que ajudaram a desatolar o ônibus em que viajavam. Da funcionária, uma sopa de legumes e a informação de que não havia chuveiro quente. Pior: não tinha água no hotel. Dormimos cheios de lama, sob chuva, goteiras, em um quarto cheio de buracos salgados.

Hotel de Sol Playa

Vejam as fotos do dia

11 respostas para “Buracos Salgados”

  1. isabel disse:

    Meu Deus, que situação!!! Espero que agora as coisas estejam mais tranquilas..

  2. JB disse:

    Não sou das letras… mas tenho acompanhado as histórias e principalmente as imagens. EXCELENTES!… Viva os COXAS!

  3. José Marcelo disse:

    Está cientificamente comprovado. Inveja não mata!!!!!

  4. lucas disse:

    Aeee….
    poe as bike pra frita cambada!!!

  5. Roberta Cabral disse:

    Que bom que as aulas de fisica foram válidas! Feliz por estarem todos bem, por aqui continuamos na torcida pra que tudo corra bem! Bjos. Beta

  6. Roberta Cabral disse:

    Ah! Nesse hotel serviu café da manhã?

  7. Carná disse:

    Puuutz!!! Imaginem a ênfase do Cabral ao contar a história de ter salvado o ônibus dos coreanos e os aplausos no hotel. Hahahhahaha… deve estar se sentindo o próprio…. buda?!?! (qual é o deus dos corenaos?)

  8. mariana disse:

    Meninos, que aventura!
    Tá todo mundo bem? Ninguém se machucou, né?
    Amei as fotos.
    Vocês deveriam fazer um livro com elas.
    Beijos,

  9. Rosângela Souza e Silva disse:

    Oii..!
    Minha nossa, qtos acontecimentos.
    Esta de desatolar ônibus dos coreanos foi demais!!
    Concordo com o comentário.
    Deveriam fazer um livro. Sucesso garantido..!!
    Já imagino vcs no Programa do Jô fazendo todo o Brasil rir.

    Nós aqui do MME estamos atentos às fotos e aos acontecimentos de los hermanos.

  10. Dudu moya disse:

    Estou emocionado,parabens!Boa sorte!

  11. Eurrênio disse:

    hombres,
    estan de broma?
    los arrentinos ahora solo dicen que gustand e rugby. És porque no és possible para Brasil ganar-los en rugby…
    Y revolucionarios que juegan rugby???
    Revolucionarios no juegan rugby!
    Bueno, que tengam muchos mas dias como este!
    Pero con baño en el final.

Deixe seu recado

Apoio
  • CineFilmes


Parceria Sonora

Trilha Sonora